Internacional
EUA e Israel atacam assembleia que escolherá novo líder supremo do Irã, dizem agências
Em 03/03/2026 por Victória Saldanha

(Foto: ATTA KENARE/AFP)

Estados Unidos e Israel atacaram nesta terça-feira, 3, a Assembleia de Especialistas, órgão responsável pela eleição do novo líder supremo do Irã, em Qom, ao sul de Teerã, segundo a imprensa local.

Com base em fontes do governo de Israel, o jornal The Jerusalem Post afirmou que todos os 88 aiatolás que compõem o órgão estavam presentes no local, mas que ainda não há registro de que eles foram atingidos pelo ataque.

Agências de notícias do Irã relataram que o prédio foi “arrasado” por um bombardeio. Imagens que circulam nas redes sociais mostram o prédio parcialmente destruído.  

“Os criminosos americano-sionistas atacaram o prédio da Assembleia de Especialistas em Qom”, publicou a agência de notícias iraniana Tasnim. 

Também nesta terça, Israel disse ter bombardeado a presidência e a sede do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã. O ataque ocorreu durante a noite e ainda não há registro de vítimas. 

Morte do líder supremo

O líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, foi morto durante uma ofensiva conjunta dos EUA e Israel no final de semana. Khamenei governou como líder supremo por 37 anos, sendo alçado ao posto em 1989, após a morte do aiatolá Ruhollah Khomeini, grande líder da revolução islâmica. 

O presidente Masoud Pezeshkian definiu a morte de Khamenei como "um grande crime" e decretou um período de luto de 40 dias, além de sete dias de feriados públicos. Informações da agência de notícias estatal IRNA apontam que, enquanto um novo líder supremo não é eleito, um conselho tripartite formado pelo presidente, pelo chefe do judiciário e por um dos juristas do Conselho dos Guardiões, que assumirá temporariamente as funções de liderança no Irã. Além do aiatolá, mais de 40 oficiais de alta patente, segundo o presidente americano, Donald Trump, foram mortos no ataque de sábado.

Conflito no Oriente Médio

Os ataques desta terça-feira representam uma escalada do conflito no Oriente Médio, desencadeado no último final de semana por ataques dos Estados Unidos e Israel contra território iraniano. Em resposta, Teerã lançou centenas de mísseis e drones contra Israel e países árabes do Golfo, danificando bases americanas, aeroportos e infraestruturas essenciais ligadas ao setor petrolífero, representando um sério desafio para o sistema de defesa aérea do Oriente Médio.

O Crescente Vermelho, que faz parte do Movimento Internacional da Cruz Vermelha, divulgou na terça-feira um balanço apontando que 787 pessoas morreram no Irã desde o início do conflito no sábado, e que mais mil bombardeios foram lançados contra 153 cidades iranianas. Em paralelo, Israel registrou pelo menos 10 mortos, enquanto os ataques retaliatórios iranianos mataram cinco pessoas em países do Golfo. Além disso, os Estados Unidos perderam quatro soldados na operação de sábado.

Em entrevista à emissora conservadora Fox News nesta terça, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que a guerra contra o Irã poderia levar "algum tempo" , mas ecoou autoridades americanas ao martelar que não se trata de "uma guerra sem fim". O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que emitiu uma série de declarações contraditórias sobre a duração do conflito, também disse na segunda-feira que ela poderia durar "muito mais tempo" do que o planejado (um mês).

 

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