Picos(PI), 21 de Julho de 2026

Matéria / Polícia

Violência contra crianças e adolescentes cresce 238% no Piauí em dois anos

21/07/2026 - Jesika Mayara

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P40G-IMG-3ded8a1236e782b7ad.jpg (Foto: Reprodução)
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Os casos de violência contra crianças e adolescentes no Piauí mais que dobraram nos últimos dois anos, segundo dados do Ministério da Saúde. Em 2025, o estado acumulou 3112 denúncias de violência contra esse público no Sistema de Informações de Agravos de Notificação (Sinan), um crescimento de 238% em relação a 2023, quando haviam sido registrados 919 casos.

O levantamento dos dados do Sinan foi feito pela Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM), que divulgou os resultados com exclusividade para o Jornal O Dia. Em todo o país, o Sinan recebeu 685.629 notificações envolvendo vítimas de 0 a 18 anos entre 2020 e 2025, um aumento de 125% no período.

Considerando todo o intervalo analisado, o Piauí somou 10.165 denúncias de violência contra crianças e adolescentes entre 2020 e 2025, sendo o último ano o de maior número de registros (3112). As vítimas do sexo feminino lideraram as ocorrências, com 6739 casos, quase o dobro dos registrados entre vítimas do sexo masculino (3426).

A maior parte das denúncias envolve violência sexual, que responde por 45,5% dos casos apurados, seguida da violência física, com 42,1%. Já na distribuição por raça, 72,9% das vítimas são pessoas pardas; 11% não tiveram a informação definida; 8,7% são brancas; 5,7%, pretas; 0,5%, amarelas; e 0,3%, indígenas.

Para o psiquiatra e presidente da SPDM, Ronaldo Laranjeira, o volume de notificações mostra que a violência contra crianças e adolescentes segue como um problema grave e persistente no país.

“Estamos falando de consequências físicas, emocionais, sociais e educacionais que podem comprometer o desenvolvimento e aumentar vulnerabilidades futuras. Por isso, é fundamental fortalecer a atuação integrada entre saúde, assistência social, educação e sistema de justiça”, afirma Laranjeira.

Já o conselheiro tutelar em Teresina, Edy Carvalho, avalia que o crescimento dos casos no estado não tem uma causa única, mas resulta de um conjunto de fatores sociais somado a uma maior facilidade de acesso aos serviços de proteção. Para ele, também houve uma desmistificação do trabalho do Conselho Tutelar junto à população.

“Antes as pessoas achavam que o Conselho era um tomador de criança, era uma instituição que tirava crianças da família, que iam lá e condenava, julgava o possível violador. As pessoas começaram a entender que o Conselho Tutelar é um órgão que serve para requisitar os serviços, garantir o direito da criança e, principalmente, para instruir as famílias”, destacou.

Segundo Edy, o Conselho atua como articulador da rede de proteção, encaminhando crianças e adolescentes às instituições adequadas para cada caso. Em casos de violações graves, como violência física ou sexual, o órgão aciona a rede de proteção para exames e acompanhamento especializado, como nos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) e nos Centros de Referência Especializados de Assistência Social (CREAS).

Por fim, o conselheiro avaliou a estrutura de trabalho em Teresina, afirmando que houve avanços significativos que permitiram a expansão do serviço, mas que ainda são necessárias mais medidas para um atendimento universal.

“Nós, como conselheiros e como Conselho, sempre buscamos uma solução no município, na prefeitura, para uma melhoria de transporte, uma melhoria no aparelho de celular, uma melhoria na internet, uma melhoria na estrutura do prédio."

Como denunciar

Para denunciar violência infantil no Piauí, é possível ligar para o Disque 100 (Disque Direitos Humanos) ou para o 190 (Polícia Militar), em casos de emergência, além do BO Fácil, pelo 0800 086 0190. Em Teresina, também é possível contatar o Conselho Tutelar ou registrar Boletim de Ocorrência na Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), pelo telefone (86) 99503-0666. Todas as denúncias são gratuitas e sigilosas.

 

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