Picos(PI), 02 de Setembro de 2026

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Opala verde é identificada no Piauí e amplia pesquisas

02/09/2026 - Jesika Mayara

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P40G-IMG-e632fbd376936d3830.jpg (Foto: Maurício Santana)
P40G-IMG-e632fbd376936d3830.jpg (Foto: Maurício Santana)

Uma opala de coloração predominantemente verde, com características diferentes das variedades já conhecidas no Piauí, foi identificada em Castelo do Piauí, a cerca de 190 km de Teresina. A descoberta foi apresentada nesta segunda-feira (31), na sede da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Piauí (Fapepi), por pesquisadores do Instituto Federal do Piauí (IFPI).

A apresentação foi feita pelo geólogo e professor do IFPI Érico Gomes e pela pró-reitora de Extensão do instituto, Divamélia Gomes. Segundo eles, o material encontrado em Castelo tem potencial de aproveitamento comercial, mas ainda precisa passar por análises antes que seja possível determinar sua qualidade, características e possibilidades de utilização.

O que torna a opala de Castelo diferente
A opala é uma gema formada por dióxido de silício hidratado. Uma de suas características mais conhecidas é o jogo de cores, efeito óptico que produz reflexos iridescentes quando a pedra é movimentada diante da luz.

Em Castelo do Piauí, o que chamou a atenção dos pesquisadores foi a coloração predominantemente verde do material, diferente das ocorrências tradicionalmente associadas à opala piauiense. Isso não significa, neste momento, que os pesquisadores tenham identificado uma nova classificação mineralógica: a equipe ainda precisa estudar a composição, as propriedades físicas, a qualidade, a extensão da ocorrência e o comportamento da pedra após a lapidação. É esse conjunto de estudos que vai indicar o real valor científico e econômico da descoberta.

Piauí já tem duas referências em opala

Em Pedro II, no Norte do estado, está a principal ocorrência brasileira da opala nobre, reconhecida pelo jogo de cores. Em Buriti dos Montes, a exploração remonta à década de 1940, com a chamada opala de fogo. A opala verde de Castelo acrescenta uma nova coloração a esse conjunto e reforça, segundo os pesquisadores, a necessidade de ampliar o conhecimento sobre os recursos minerais do estado.

Descoberta ocorre em meio a pesquisa para fortalecer a cadeia da opala
A pesquisa está relacionada ao trabalho do Arranjo Produtivo Local (APL) da Opala, que reúne pesquisadores, mineradores, artesãos, empreendedores e instituições envolvidas com a cadeia produtiva da gema. O objetivo é ir além da extração e venda da pedra bruta, ampliando etapas como lapidação, ourivesaria, design e produção de joias.

Érico Gomes explica que Castelo do Piauí está inserido em uma região com registros de diferentes minerais. O município integra um consórcio intermunicipal formado por seis cidades com ocorrências de quartzo, cristal, ametista e opala. A aproximação entre esse consórcio e o APL da Opala está sendo discutida para ampliar ações de capacitação, empreendedorismo, inovação e beneficiamento mineral.

"Essa opala de Buriti dos Montes é extraída desde 1940. Com o tempo, foi descoberta a opala de Pedro II, e elas sempre foram comercializadas na forma bruta. No momento em que a gente conseguir levar capacitação, empreendedorismo e inovação para a lapidação, a ourivesaria e a fabricação de joias, estaremos gerando emprego e renda também para os municípios do consórcio", afirmou o pesquisador.

Se o material de Castelo apresentar qualidade adequada para o mercado, ele pode representar uma nova frente dentro da cadeia produtiva mineral do estado.

O momento da opala piauiense
A descoberta chega em um momento de crescimento do setor. Nos últimos dois anos, a opala de Pedro II ganhou reconhecimento internacional: artesãos piauienses participaram da Tucson Gem Fair, nos Estados Unidos, maior feira de gemas e minerais do mundo, e pesquisadores do Gemological Institute of America (GIA), o instituto de gemologia mais respeitado internacionalmente, estiveram na cidade para coletar amostras destinadas a estudos de certificação de origem.

Érico Gomes, o mesmo pesquisador à frente da identificação em Castelo do Piauí, foi convidado a integrar o grupo de 15 especialistas responsáveis por escrever o Guia Internacional da Opala, documento que vai padronizar classificações e terminologias da gema em todo o mundo.

 

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