11/09/2026 - Redação
(Foto: Reprodução)
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O Piauí tem 38 focos de fogo ativos e 86 focos de calor sob monitoramento, segundo o boletim divulgado nesta quinta-feira (10) pela Sala de Monitoramento e Previsão de Eventos Climáticos Extremos (SAMPCE), da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (SEMARH).
Entre as ocorrências, cinco são consideradas de maior criticidade operacional por já persistirem há mais de sete dias. Os incêndios estão localizados nos municípios de Barreiras do Piauí, Piracuruca, Francisco Ayres, Lagoa Alegre e Currais.
De acordo com a SEMARH, a permanência prolongada das chamas aumenta o risco de expansão da área atingida e exige maior atenção das equipes responsáveis pelo monitoramento e combate.
Foco de calor não significa necessariamente incêndio
A SEMARH explica que há diferença entre foco de calor e foco de fogo. O primeiro corresponde a uma anomalia térmica identificada por satélites, indicando a presença de uma fonte de calor, mas não necessariamente a existência de um incêndio.
Já o foco de fogo representa uma ocorrência com chama ativa confirmada, que precisa ser acompanhada pelas equipes e combatida caso haja risco de avanço para áreas de vegetação, propriedades ou comunidades.
“Nós temos os focos de calor, que é um aumento de temperatura de determinada superfície, que é um indício de fogo a depender do local. E os focos de fogo, que de fato são incêndios que precisam ser debelados, caso eles avancem para florestas, para comunidades”, explica Felipe Gomes, diretor de Licenciamento da SEMARH.
O monitoramento utiliza dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Segundo a secretaria, o Piauí passou a contar neste ano com um painel próprio para acompanhar as frentes de fogo e auxiliar na organização das ações de combate realizadas pelas brigadas municipais e pelo Corpo de Bombeiros.
Focos são registrados em 29 municípios
As detecções apontadas no boletim desta quinta-feira estão distribuídas por 29 municípios piauienses:
Aroazes
Baixa Grande do Ribeiro
Barras
Barreiras do Piauí
Bertolínia
Bom Jesus
Buriti dos Montes
Colônia do Piauí
Corrente
Currais
Floriano
Francisco Ayres
Gilbués
Jerumenha
Lagoa Alegre
Manoel Emídio
Monte Alegre do Piauí
Nazaré do Piauí
Oeiras
Paulistana
Piracuruca
Ribeiro Gonçalves
Santa Filomena
Santo Inácio do Piauí
São Gonçalo do Gurguéia
São João da Serra
Sebastião Leal
Uruçuí
Valença do Piauí
Sudoeste do estado concentra preocupação
Segundo a SEMARH, uma das regiões que mais exige atenção é o cerrado piauiense, no sudoeste do estado, especialmente no eixo formado por Uruçuí, Bom Jesus e Corrente. A área concentra parte importante da atividade agrícola do Piauí.
A secretaria alerta que, embora o uso controlado do fogo não seja proibido, as condições climáticas durante o período seco podem favorecer a perda de controle das queimadas e a transformação das ocorrências em incêndios florestais.
“Não é proibido o uso do fogo, a gente sempre chama a atenção para isso, porém o uso descontrolado nessa época, com condições climáticas desfavoráveis, acaba ocasionando incêndios florestais e de proporções que a gente não quer”, afirma Felipe Gomes.
Número de focos é menor que no ano passado
Apesar das altas temperaturas e do período seco, o número de focos registrados no Piauí neste ano está cerca de 38% abaixo do registrado no mesmo período do ano passado, segundo o diretor da SEMARH.
A redução é atribuída principalmente ao trabalho de educação ambiental realizado nas comunidades onde há maior incidência de incêndios e à atuação das brigadas municipais.
A secretaria informou ainda que deve concluir nesta semana o treinamento de brigadistas em todos os municípios piauienses.
Mesmo com a redução, o alerta permanece. Segundo Felipe Gomes, o período mais crítico ainda está por vir.
“O pior ainda é outubro. Geralmente, na série histórica, outubro é o período mais crítico”, afirma.
Calor e baixa umidade aumentam risco de incêndios
A previsão meteorológica para os próximos dias mantém o estado em alerta. De acordo com a SEMARH, as temperaturas máximas podem chegar a 40°C em algumas regiões, enquanto a umidade relativa do ar pode ficar abaixo de 15% durante a tarde em quase todo o território piauiense.
A combinação de temperaturas elevadas, baixa umidade e tempo seco cria condições favoráveis para a rápida propagação das chamas em áreas de vegetação.
O cenário é considerado ainda mais preocupante nos locais onde existem focos que permanecem ativos há vários dias, aumentando o risco de expansão dos incêndios e de atingimento de novas áreas.
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