14/07/2026 - Jesika Mayara
(Foto: Reprodução)
(Foto: Reprodução)
O varejo brasileiro registrou em junho o pior desempenho para o mês desde o período da pandemia de covid-19 em 2020. Segundo dados oficiais do Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA), divulgados nesta segunda-feira, 13, as vendas sofreram uma retração real de 2,8% na comparação com o mesmo mês do ano anterior. O resultado marca o segundo mês consecutivo de contração expressiva do setor e consolida um primeiro semestre desafiador para a atividade comercial no país.
Inflação corrói o orçamento doméstico
O recuo de junho sucede a retração real de 3,4% apurada em maio, evidenciando uma perda de tração sistemática no poder de compra da população. No acumulado dos primeiros seis meses do ano, o varejo registra queda real de 2,2% — um dado significativamente inferior ao patamar do primeiro semestre do ano passado, quando a variação negativa havia sido de apenas 0,7%.
A direção técnica da administradora de cartões associa o comportamento das planilhas de venda ao estresse inflacionário em despesas básicas:
“O desempenho de junho ocorreu em ambiente de inflação relevante para itens de alta recorrência no orçamento das famílias”, pondera o vice-presidente de Tecnologia e Negócios da Cielo, Carlos Alves.
Os indicadores de preço confirmam a pressão sobre o consumidor. O IPCA-15 avançou 0,41% em junho e acumula uma alta substancial de 4,80% na janela dos últimos 12 meses. O avanço foi impulsionado primordialmente pelo encarecimento estrutural dos grupos de alimentação, bebidas e habitação (que engloba custos com aluguel e energia).
Desempenho por setores e assimetria regional
O impacto da retração não se distribuiu de forma homogênea, revelando profundas assimetrias geográficas e setoriais em todo o território nacional:
Entenda o cenário
O recuo histórico do varejo brasileiro desenha-se em um cenário macroeconômico de juros restritivos e pressões fiscais que inibem o crédito e o consumo de longo prazo. No início de julho, o Boletim Focus do Banco Central interrompeu uma sequência de 15 semanas de deterioração ao reduzir marginalmente a projeção do IPCA anual de 2026 de 5,33% para 5,30%.
Apesar do leve alívio nas estimativas, o patamar projetado permanece acima do teto da meta estipulada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Com a taxa básica de juros (Selic) precificada pelo mercado financeiro para encerrar o ano em elevados 14% ao ano, os custos de financiamento ao consumidor devem continuar proibitivos, indicando que a recuperação das margens operacionais do comércio físico ainda enfrentará forte resistência no segundo semestre de 2026.
NC News