11/09/2026 - Jesika Mayara
(Foto: Reprodução)
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Uma nova espécie de peixe que viveu há cerca de 280 milhões de anos foi identificada por pesquisadores a partir de fósseis encontrados em Nazária, a cerca de 60 quilômetros ao sul da capital. O animal, que media aproximadamente 20 centímetros de comprimento, recebeu o nome de Nazaria limnica.
Os dois fósseis que permitiram identificar a espécie foram encontrados no mesmo dia, em março de 2018, durante uma expedição em Nazária. Um dos exemplares preserva o crânio e parte do corpo do peixe. Já o outro apresenta parte do corpo e a cauda. Juntos, os fósseis permitem conhecer quase todo o esqueleto do animal.
O estudo contou com a participação do professor Juan Cisneros, da Universidade Federal do Piauí (UFPI), e foi realizado por uma equipe internacional de pesquisadores. A pesquisa foi publicada na revista científica Journal of Vertebrate Palaeontology.
Peixe vivia em antigo lago no Piauí
Segundo o professor Juan Cisneros, da UFPI, a espécie viveu durante o Período Permiano, na Era Paleozoica, quando a região que hoje corresponde ao Piauí tinha características muito diferentes das atuais.
Na época, havia um grande lago de água alcalina habitado por diferentes espécies. A Nazaria limnica se alimentava de pequenos crustáceos que viviam no fundo desse lago. Ao mesmo tempo, também servia de alimento para animais maiores.
Os registros ajudam os pesquisadores a compreender como era o ambiente do Piauí há centenas de milhões de anos. A idade dos fósseis é semelhante à dos registros encontrados na Floresta Fóssil do Rio Poti, em Teresina.
Descoberta ajuda a reconstruir a história do estado
Após serem encontrados, os fósseis passaram por processos de limpeza e conservação no Laboratório de Paleontologia da UFPI. Em seguida, os pesquisadores compararam o material com fósseis de outros peixes encontrados no Brasil e em outros países.
“Depois foram realizadas comparações com fósseis de peixes em outros museus do Brasil e do exterior. Foram elaborados desenhos técnicos com a identificação de cada osso presente nos fósseis”, explicou o professor.
A partir dessas análises, os pesquisadores identificaram características que diferenciam o animal de outras espécies já conhecidas, o que permitiu reconhecer a Nazaria limnica como uma nova espécie.
Fósseis permanecem no Piauí
Os dois fósseis utilizados na pesquisa permanecem no estado. Atualmente, integram a coleção científica do Museu de Arqueologia e Paleontologia da UFPI.
A preservação dos exemplares garante que o material permaneça disponível para novas pesquisas e contribui para a conservação do patrimônio paleontológico do Piauí.
"A descoberta de Nazaria limnica acrescenta um novo registro à história da vida no Piauí e reforça a importância das pesquisas paleontológicas para a compreensão dos ambientes que existiram no território há centenas de milhões de anos", concluiu Juan.
G1 Piauí